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Visita domiciliar · Parte 3 de 3

Postura, ética, sigilo e registro

Respeito e ética na casa das famílias

O ACS precisa agir com respeito e ética. O manual pede que ele não faça julgamentos sobre a vida das famílias.

  • Respeitar a cultura, a religião e a situação financeira de cada um.
  • Respeitar a raça, a etnia, a orientação sexual e a deficiência.
  • Ter uma postura de escuta e de tolerância, mesmo com crenças diferentes das suas.
  • Ser imparcial: tratar todos do mesmo jeito, sem tomar partido.

O vínculo com a família é bom e necessário. Mas o manual avisa: o ACS deve separar a relação pessoal do seu papel profissional.

Na prática do ACS: o morador que não quer receberSeu Carlos abre a porta e diz: "Hoje não quero conversa". O ACS respeita e não insiste. Ele pergunta se pode voltar outro dia, num horário melhor. Na ficha, marca visita recusada. Se a situação parecer difícil, ele conta à equipe. Com paciência, o vínculo pode nascer depois.
Como cai na provaA pegadinha da permissãoA banca escreve que, depois da primeira visita, o ACS não precisa mais de permissão para entrar nas casas. Está errado. O ACS é um profissional de saúde, não tem poder de entrar à força. Ele sempre pergunta se pode ser recebido.

Sigilo: o que a família conta fica guardado

O ACS mora na mesma comunidade que as famílias. Ele ouve segredos: uma doença, um problema em casa, uma gravidez. Por isso o é tão importante.

PNAB, Portaria nº 2.436/2017, atribuições do ACS
Registrar, para fins de planejamento e acompanhamento das ações de saúde, os dados de nascimentos, óbitos, doenças e outros agravos à saúde, garantido o sigilo ético;

Em palavras simples: O ACS anota nascimentos, mortes e doenças da sua área. Esses dados servem para a equipe planejar e acompanhar. E o ACS guarda segredo sobre eles.

Lei nº 11.350/2006, art. 3º, § 3º, II
o detalhamento das visitas domiciliares, com coleta e registro de dados relativos a suas atribuições, para fim exclusivo de controle e planejamento das ações de saúde;

Em palavras simples: O ACS anota o que viu e fez nas visitas. Esses dados servem só para controlar e planejar as ações de saúde.

  • Pode: contar à equipe de saúde o que é preciso para cuidar da pessoa.
  • Não pode: contar para vizinhos, amigos, parentes ou para a sua própria família.
  • Não pode: comentar casos das famílias na rua, no ônibus ou em grupos de mensagem.
  • Adolescente também tem direito à privacidade e ao sigilo.
Cuidado com a cadernetaAo preencher a Caderneta da Pessoa Idosa, deixe a pessoa à vontade para contar só o que quiser. A caderneta pode ser vista por outras pessoas. É preciso guardar a privacidade dela.

Registro: a Ficha de Visita Domiciliar

Hoje o registro é feito no e-SUS APS, o sistema de informação da Atenção Primária. O ACS usa a Ficha de Visita Domiciliar e Territorial, em papel ou no aplicativo.

  • A ficha é de uso só do ACS e do ACE. Os outros profissionais registram "atendimento no domicílio".
  • Preencha durante a visita. Se não der, logo depois que ela acabar.
  • Ela vale também para visitas fora de casa: escola, creche, comércio, terreno baldio.
  • É obrigatório marcar pelo menos um motivo da visita.
Motivo da visitaQuando usar
Cadastramento ou atualizaçãoAo fazer ou atualizar o cadastro da pessoa ou da casa.
Visita periódicaFamília sem situação especial de saúde, visitada na rotina.
Busca ativaConsulta, exame, vacina atrasada ou condicionalidades do Bolsa Família.
AcompanhamentoGestante, criança, idoso, acamado, pessoa com pressão alta, diabetes, tuberculose e outros.

No fim, o ACS marca o , que é obrigatório: visita realizada, visita recusada ou ausente.

Atividade

Leve cada cena para o desfecho certo da ficha.

Toque em um cartão.

Manual antigo, sistema novoOs manuais de 2009 falam do SIAB e de fichas como a B-GES. Esse sistema foi substituído. Hoje o ACS usa o e-SUS APS. Se a prova citar o manual de 2009, a ideia continua valendo: registrar bem cada visita.

Resumo para revisar

  • A visita domiciliar é a atividade mais importante (precípua) do ACS.
  • Ela ajuda a construir o vínculo: a confiança entre família e ACS.
  • Todas as famílias são visitadas. As de risco recebem mais visitas.
  • A periodicidade é definida no planejamento da equipe, conforme a necessidade.
  • Planeje a visita: mapa, roteiro, tempo e horário combinado com a família.
  • Na primeira visita: nome, trabalho, motivo e pedir licença. A permissão é pedida sempre.
  • Depois: avaliar, registrar, contar à equipe e planejar. Faltou? Busca ativa.
  • Sem julgamentos, com sigilo ético. Registro na Ficha de Visita Domiciliar e Territorial do e-SUS.

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