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Acolhimento, vínculo e humanização · Parte 1 de 3

Acolhimento e vínculo

O que é acolher

Este assunto está no centro do trabalho do ACS. Você vai acolher pessoas todos os dias, em cada casa. E a banca gosta de cobrar o que acolhimento é e o que não é.

O é uma diretriz da Política Nacional de Humanização (PNH), do Ministério da Saúde. Acolher é receber a pessoa com atenção e levar a sério o que ela traz.

Política Nacional de Humanização (folheto, 2013), Acolhimento: o que é?
Acolher é reconhecer o que o outro traz como legítima e singular necessidade de saúde.

Em palavras simples: Acolher é aceitar que a necessidade da pessoa é verdadeira e importante. E entender que cada pessoa é única.

Como se faz isso? Com uma . É ouvir com atenção de verdade, sem pressa e sem julgar. O Manual do ACS lembra: acolher é ouvir as necessidades e perceber aquilo que muitas vezes não é dito.

O objetivo do acolhimento é criar confiança, compromisso e vínculo entre a equipe e o usuário.

Acolhimento não é triagem nem uma sala

Muita gente pensa que acolhimento é a recepção da Unidade de Saúde. Ou que é a , que separa quem vai ser atendido. A Cartilha da PNH diz que não.

Cartilha da PNH: Acolhimento nas práticas de produção de saúde (2010)
O acolhimento não é um espaço ou um local, mas uma postura ética: não pressupõe hora ou profissional específico para fazê-lo [...] Desse modo é que o diferenciamos de triagem, pois ele não se constitui como uma etapa do processo, mas como ação que deve ocorrer em todos os locais e momentos do serviço de saúde.

Em palavras simples: Acolhimento não é uma sala nem um lugar. É um jeito de agir, com respeito. Não tem hora marcada nem um profissional só para isso. Por isso não é triagem: não é uma etapa. Ele acontece em todos os lugares e em todos os momentos.

PNAB, Portaria nº 2.436/2017
O acolhimento deve estar presente em todas as relações de cuidado, nos encontros entre trabalhadores de saúde e usuários, nos atos de receber e escutar as pessoas, suas necessidades, problematizando e reconhecendo como legítimas [...]

Em palavras simples: O acolhimento está em todo encontro entre o trabalhador e o usuário. Está no jeito de receber, de escutar e de levar a sério o que a pessoa precisa.

Como cai na provaA pegadinha mais comumA banca escreve que o acolhimento é "um espaço da unidade", "uma etapa do atendimento", "feito só pela recepção" ou "o mesmo que triagem". Tudo errado. Guarde: acolhimento é postura, de todos os profissionais, em todos os locais e momentos.

A PNAB diz mais: para acolher bem, não basta distribuir senhas em número limitado. E o acolhimento não deve se restringir à triagem clínica. A Cartilha critica as filas de madrugada, em que é atendido quem chega primeiro, e não quem mais precisa.

Atividade

Leve cada frase para o grupo certo, segundo a PNH.

Toque em um cartão.

O vínculo: a confiança que dura

O acolhimento abre a porta. O é o que mantém a porta aberta. É a relação de confiança entre a família e a equipe, que vai crescendo com o tempo.

O Trabalho do Agente Comunitário de Saúde (Ministério da Saúde, 2009)
O vínculo ocorre quando esses dois movimentos se encontram: o usuário na busca do cuidado e o profissional se encarregando por esse cuidado.

Em palavras simples: Existe vínculo quando os dois lados se encontram. A pessoa procura cuidado. E o profissional assume esse cuidado.

O Manual também diz que a base do vínculo é o compromisso do profissional com a saúde de quem o procura. Para o usuário, o vínculo existe quando ele percebe que a equipe ajuda a melhorar a sua vida.

A PNAB liga o vínculo à do cuidado. É acompanhar a mesma pessoa ao longo do tempo, de forma permanente, mesmo quando ela não está doente.

PNAB, Portaria nº 2.436/2017, Diretrizes: Longitudinalidade do cuidado
pressupõe a continuidade da relação de cuidado, com construção de vínculo e responsabilização entre profissionais e usuários ao longo do tempo e de modo permanente e consistente [...]

Em palavras simples: A equipe cuida da pessoa sem interromper, por muito tempo. Assim cria vínculo e se torna responsável por ela.

O ACS no acolhimento

O Manual do ACS diz que você tem um papel importante no acolhimento. Você é da equipe e também é da comunidade. Isso ajuda a criar confiança e vínculo, e aproxima a família da equipe.

A PNAB coloca entre as tarefas de todos da equipe: participar do acolhimento, com atendimento humanizado, cuidando da continuidade e do vínculo. O ACS também faz isso.

  • Na primeira visita, diga seu nome, explique seu trabalho e pergunte se pode ser recebido naquele momento.
  • Entrar numa casa é sinal de confiança. Respeite a casa, a cultura e as crenças da família.
  • Para ter mais vínculo, combine com a família o melhor horário para a visita.
  • Use linguagem simples, seja gentil e respeite crenças diferentes das suas.
  • Tenha um bom vínculo com a família, mas separe a amizade do seu papel de ACS.
Na prática do ACSSeu Antônio, 72 anos, mora sozinho na sua microárea. Na visita, ele fala do remédio da pressão. Mas fala muito da esposa, que morreu há dois meses. Você escuta com calma, sem pressa de ir embora. Percebe uma tristeza que ele não disse com palavras. Você conta isso para a equipe, e a enfermeira marca uma visita. Isso é acolhimento: ouvir o que é dito e o que não é dito.
O que não é acolhimentoDona Rosa chega à Unidade com dor e ouve: "Acabaram as fichas, volte amanhã às 5 horas." Ninguém pergunta o que ela tem. Isso é atender só pela ordem de chegada. A PNH quer o contrário: escutar todos e dar prioridade a quem tem mais risco.

Parte estudada!

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